Nesta Solenidade da sagrada Face elevamos ao Senhor o nosso louvor e a nossa súplica para que Ele faça resplandecer em nós a Face do Seu amado Filho!
sexta-feira, 25 de abril de 2014
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Fazer sorrir o Rosto de Jesus
Nos dias 21 e 22 de abril, o
postulante Alfredo Leonardo juntamente com a Irmã Jacira participaram de uma
missão na Paróquia de São José Operário, Cidade de Joca Claudino – PB. A
missão feita às famílias através das visitas porta-a-porta, serviram para
reforçar o convite àquela comunidade paroquial de participarem do novenário e
Festa de São José Operário a ser celebrada no próximo dia 01 de maio.
Durante os dias visitas, algumas
de forma muito breve, apenas para convidar a família, mas outras, com
particularidades que mereciam nossa atenção, nossa escuta e principalmente
nossa oração. São rostos de homens e de mulheres, que sentem no coração o
sofrimento, a amargura, a solidão. Fizemos o propósito de rezar por algumas
situações e cremos, Deus desde já foi tocando estas áreas mais urgentes e
principalmente dos corações mais sedentos e abertos à graça benfazeja de Deus.
segunda-feira, 21 de abril de 2014
RESSUSCITOU, COMO HAVIA DITO! (Meditação para o tempo Pascal)
A
Igreja é rica em simbologia – não no sentido supérfluo da palavra, mas
mistagógico -, isto é, repleto de um mistério que enche o nosso coração de
espanto e alegria. Foi assim com os soldados que vigiavam o corpo de Jesus, foi
assim com Maria Madalena e a outra Maria, foi assim com o discípulo amado e com
Pedro e foi assim com os primeiros cristãos que se seguiram a partir da sua
ressurreição. Espanto e alegria. Que atitude me encheria o coração se eu não
conhecesse as Sagradas Escrituras que narram a história da humanidade e da sua
redenção pela opção salvífica do Cristo? Acreditaria? É interessante observar
nisto tudo que o discípulo amado, embora tendo corrido à frete de Pedro, como
quem quisesse a primeira prova, não teve coragem de entrar, e somete após
Pedro, já imbuído talvez de um sentimento que trazia à tona tudo o que Jesus
fez e lhe disse, entrou e confirmou. O outro discípulo quando entrou também
acreditou porque viu as faixas deixadas, mas o Evangelho diz que eles ainda não
haviam compreendido as Escrituras. Foi preciso ver para crer. Então, acreditar
em Jesus Ressuscitado é acreditar nas Escrituras.
Continuando
com nossa meditação e percorrendo o Evangelho da Ressurreição, nos deparamos
com outra imagem estupenda. As mulheres ao se depararem com o Anjo de Deus
ouvem da boca dele: “Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, que foi
crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito! Vinde ver o lugar
em que Ele estava. Ide depressa contar aos discípulos que ele ressuscitou dos
mortos e que vai à vossa frente para a Galileia. Lá vós o vereis. É o que tenho
a dizer-vos”. (Mt 28, 5-7)
De
fato, elas entraram no lugar ode puseram Jesus, mas tão depressa correram para
a Galileia para ver Jesus. “Alegrai-vos”, foi a saudação de Jesus que
imediatamente foi correspondido pelas mulheres que se aproximaram,
prostraram-se e abraçaram os pés de Jesus. Que cena bonita! Que encontro
espetacular! Eis que não há mais medo, angústia, sombra ou dúvida, mas ALEGRIA!
As mulheres tiveram o seu mais significante encontro. Será que nós correríamos
ao encontro de Jesus tão logo soubéssemos da novidade? E os linhos? E a pedra?
E o Anjo?
Ficaram
lá no sepulcro sinais da Ressurreição, sinais do divino, sinais de mistério,
mas elas não ficaram presas aos sinais, e sim ao encontro. Foram ao encontro.
Foram à “antiga Galileia”. O Papa
Francisco já nos dizia ontem na Vigília Pascal:
“A
Galileia é o local do primeiro chamado, onde tudo começou!”
Então
voltar lá significa voltar às origens de nossa fé, de nossa vocação, do nosso
credo. Voltar lá significa ir por onde Jesus percorreu, pegando, relendo e bebendo
da fonte inesgotável que é o Ressuscitado. O Papa ainda continua:
“Para
cada um de nós existe uma "Galileia", no início da
jornada com Jesus "Ir para a Galileia" significa algo bonito para nós,
significa redescobrir o nosso Batismo como fonte de vida, tocar em uma nova
energia para a raiz de nossa fé e da nossa experiência cristã. Voltar para a
Galileia significa antes de tudo voltar lá, naquele ponto onde a graça de Deus
brilhando me tocou no início da jornada. É daquela centelha que pode acender o
fogo para hoje, para cada dia, e trazer calor e luz para os meus irmãos e as
minhas irmãs. A partir dessa faísca incendeia uma alegria humilde, uma alegria
que não ofende a dor e o desespero, alegria e bom tempo.”
O
Evangelho continua e nós continuamos a refletir: “Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam
para a Galileia. Lá eles me verão”. (Mt 28, 10) É o mandato de Jesus:
Ir aos encontro dos nossos irmãos, que são seus irmãos, e anunciar esta grande
alegria. Cabe a nós, hoje, anunciar a ressurreição de Jesus. Se ainda estamos
com medo, com certeza a dúvida vai me visitar: Como farei isso? De que forma
anunciarei esta alegria? A quem irei? Mas, Jesus manda irmos aos irmãos, então
não falta a quem ir. São tantos irmãos hoje que precisam desta notícia porque vivem
à sobra da fome, vivem à margem dos privilegiados, vivem a espera de direitos
como a moradia, a saúde, a educação, o amparo. Quantos irmãos abandonados à
própria sorte! O que fazemos para esses mais desfavorecidos?
Remeto-me
mais uma vez ao Papa Francisco quando em visita a Assis, dizia às crianças e
jovens deficientes que neles, vemos Jesus escondido, ferido, chagado.
Precisamos tocar essas chagas, acaricia-las sem medo, sem estranheza. Quantas
vezes temos receio de chegar perto dos moribundos, doentes, favelados,
mendigos, maltrapilhos, drogados, presos? São essas chagas abertas, como as de
Jesus que mesmo ressuscitado mostra suas chagas a Tomé, que precisamos tocar,
agora não mais para acreditar, porque já acreditamos, mas para sarar, para
reparar, para restabelecer suas dores. O Papa dizia que adoramos a carne de
Jesus no altar, nesses irmãos, ouvimos e tocamos.
Ainda
um sentimento muito bonito nos toma ao refletir a Ressurreição de Jesus. É que,
respondendo hoje ao seu chamado de sermos discípulos, missionários, de irmos ao
encontro dos pobres, corremos o risco de cairmos em uma crise profunda de nossa
existência e vocação, pois o mundo moderno nos tenta sufocar e iludir as nossas
mentes com fantasias e tentações, como facilidades, superficialidades e frieza.
Quando por acaso, cairmos assim, lembremos-nos de irmos a “Velha Galileia” e voltar
às nossas fontes, ao nosso primeiro chamado, à nossa vocação, ao primeiro amor,
à chama do Batismo. Jesus ressuscitou para não nos deixar sozinhos. É um
confortável alento sabermos disso. Por demoramos então?
Se
lemos nas Escrituras, se ouvimos de sua boca que é o próprio Evangelho, se
vemos os linhos deixados, se fomos à Galileia para vê-lo, então só nos resta
irmos aos irmãos para dizê-los o mesmo: Ressuscitou, como havia dito! Aleluia!
Aleluia!
Postulante Leonardo Fernandes
Religiosos da Sagrada Face
sábado, 19 de abril de 2014
“CRISTO POR NÓS PADECEU, MORREU E FOI SEPULTADO: VINDE TODOS ADOREMOS!” (Meditação para o Sábado Santo)
Depois de termos
percorrido o caminho da cruz, juntamente com Jesus, contemplamo-lo agora morto
e sepultado por amor de nós. Diante desta realidade podemos comprovar quão
grande, infinito e verdadeiro é o seu amor por nós, a humanidade. Um amor que
não se deixa abater diante de nossas infidelidades, mas que é mais forte que
todo tipo de amor humano, a ponto de deixar-se ferir, padecer e morrer; sacrificar-se
incondicionalmente, e entregar sua vida sem medir esforços para resgatar-nos e
dar-nos uma vida nova. Ao contemplarmos esse amor de Cristo, podemos verdadeiramente
exclamar: “Amou-nos até o fim!”.
Neste sentido, a
Liturgia das Horas de hoje abre-se com este convite a adorarmos o Rei que se
encontra morto e sepultado. Adorá-lo ganha um sentido todo especial porque nos
convida também a reconhecermos o seu amor imenso e a gratuidade da doação de
sua vida. E ao adorá-lo assim, morto e sepultado, colocamo-nos em uma atitude
confiante de espera da ultima palavra, que não é a sua morte!
Contemplar e adorar Cristo que padeceu, morreu
e foi sepultado, não é para nós uma espécie de conformismo ou um simples
entregar-se aos fatos; antes é um gesto de reconhecimento de nossa parte do seu
amor, de sua fidelidade e acima de tudo de sua obediência à vontade do Pai. A
sua morte não é o fim, esta certeza nos acompanha e amplia o horizonte de nosso
olhar: é apenas o início da vida nova, que Ele conquistou e deu-a também a nós,
conforme nos diz São Pedro: “Carregou sobre si nossas culpas em seu corpo, no
lenho da cruz, para que, mortos aos nossos pecados, na justiça de Deus nós
vivamos. Por suas chagas nós fomos curados” (1ª Pd 2,24). Por trás de todo
sofrimento até ser sepultado, há um plano de amor: salvar-nos para que possamos
viver n’Ele.
Contemplar e adorar
Cristo que padeceu, morreu e foi sepultado é colocar-se em uma atitude de
espera. Não uma espera qualquer, mas uma espera que é carregada de esperança na
vida nova que Ele quis nos dar, vida que brota da morte e que já não morre
mais. Espera que é também marcada pelo silêncio, fruto da adoração e que se faz
presente em toda humanidade: Silencia agora, aquela multidão agitada que
estivera em seu julgamento; silencia também o próprio Deus diante da morte de
seu Filho; silenciamos também nós com sua morte; a natureza inteira está em
silêncio juntamente com o Cristo Senhor que desce à mansão dos mortos. De forma
que podemos nos perguntar:
Que está acontecendo hoje? Um grande
silêncio reina sobre a terra. Um grande silêncio e uma grande solidão. Um
grande silêncio, porque o Rei está dormindo; a terra estremeceu e ficou
silenciosa, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há
séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos. (De uma antiga
homilia no grande sábado santo, sec. IV).
Esta espera silenciosa
faz-nos compreender melhor o amor de Deus que silencia diante da morte de seu Filho
por amor de nós, seus filhos no Filho. Faz-nos compreender melhor também o
silêncio de Deus em nossa vida. Quando por vários motivos fazemos a experiência
do silêncio de Deus em nossa vida, na verdade estamos sendo amados e não
compreendemos os planos e os desígnios de Deus, que são diferentes dos nossos!
Assim, diante deste silêncio do sábado santo, esperemos a Boa Notícia que vem
para encher o nosso coração de alegria e agradeçamos ao Senhor por sua prova de
amor, por sua fidelidade e pelo presente que Ele nos dá: a vida nova,
conquistada com sua morte! Obrigado Jesus! Obrigado Senhor por teres vencido a
morte e “quebrado” o silêncio que invadia o nosso coração para enchê-lo de
alegria!
Francisco Josimar Chaves
Noviço dos Religiosos da S. Face
sexta-feira, 18 de abril de 2014
SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO DO SENHOR (Meditação para a sexta-feira Santa)
Eis o lenho da Cruz do qual pendeu a salvação do mundo – é
essa verdade que acolhemos na Celebração da Paixão do Senhor, enquanto o
preside proclama cantando-a de modo ascendente, a comunidade reunida confirma,
respondendo: Vinde,
adoremos. Ou seja, do madeiro da cruz
o Senhor nos libertou dos nossos pecados e culpas.
A liturgia celebrada pela Igreja, neste dia santo, tem um
caráter de despojamento, de entrega, de oferta. O centro do Mistério que
celebramos, Cristo, oferta toda a sua vida ao Pai, não poupando-se a si mesmo,
mas totalmente despojado, humilhado entrega-se à plenitude do projeto de Deus
para resgatar a humanidade da morte, da dor, da escravidão e, com isso,
configurá-la a uma nova realidade histórica, a qual é convidada a
experimentar a salvação de Deus.
Escolhi o texto bíblico: Cristo, Servo de Deus, da Carta aos
Filipenses, capítulo 2, versículos 6-11, uma vez que este nos apresenta a
realidade ofertorial de Jesus na sua entrega despojada na árvore bendita da
Cruz:
Embora fosse de divina condição, Cristo Jesus não se apegou
ciosamente, a ser igual em natureza a Deus Pai. Porém esvaziou-se de sua glória e assumiu a
condição de um escravo, fazendo-se aos homens semelhante. Reconhecido exteriormente como homem, humilhou-se, obedecendo
até à morte, até à morte humilhante numa cruz.Por isso Deus o exaltou
sobremaneira, e deu-lhe o nome mais excelso, mais sublime, e elevado muito
acima de outro nome. Para que perante o nome de Jesus, se dobre reverente todo
joelho, seja nos céus, seja na terra ou nos abismos. E toda língua reconheça,
confessando, para a glória de Deus e seu louvor: ‘Na verdade Jesus Cristo é o
Senhor!’
Jesus,
totalmente Deus; Jesus, totalmente Homem. Como nos apresenta o Evangelista
João, no canto da encarnação: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus[...]
E o Verbo se fez carne e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória, glória
que ele tem junto ao Pai como Filho único, cheio de graça e de verdade.” (Jo 1,
1. 14). Jesus foi um homem totalmente livre, tão livre ao ponto de
não apegar-se à sua natureza divina. Sendo Deus, não se autodefendeu do cálice
pelo qual deveria passar, mas livre e despojadamente levou a termo à missão que
o Pai lhe confiara.
Jesus,
em tudo foi igual aos homens, exceto no pecado. Esvaziou-se daquilo que era em-si
para assumir uma condição que não lhe era própria, mas para fazer-se um com
todos e para sentir as dores do povo, ao qual veio libertar, tornou-se vítima
pelos nossos pecados. Assim, Jesus “[...] unindo a si tudo o que é humano,
aceitando também os vazios e as ambiguidades do nosso dizer [...] declarando
sua, desde sempre, a realidade assumida [...]”[1]. Ele fez-se homem para
libertar a nossa humanidade propensa ao pecado.
Veio
para relevar-nos o Rosto do Pai e, com isso, restaurar o Projeto do Amor de
Deus para a humanidade, já que pela desobediência do pecado, nos afastamos e
desconfiguramos a concretude desse mesmo Projeto. Jesus, o homem obediente, deixou-se
conduzir pelo Espírito, desde o Jordão até o Gólgota. Como nos diz Perego: “O
eco entre a cena do batismo e a morte de Jesus, como também a ligação com
alguns do Antigo Testamento, conferem um significado teológico particular à
‘consagração’ de Jesus: esta é inaugurada no Jordão, mas seu cumprimento
acontece no Gólgota, no final de sua existência terrena. A condição humana
assumida até a morte de cruz torna-se o lugar a partir do qual o Espírito se
infunde sobre todas as criaturas, justamente como, na abertura, o mesmo
Espírito descera sobre Jesus”[2].
Portanto,
caro/a irmão/ã, mergulhemos em tão grande mistério de amor... O sacrifício de
Jesus - sacrifício perfeito e santo - nos ajuda a compreendermos os nossos
pequenos sacrifícios diários, as pequenas cruzes que a vida nos pede de
carregá-las. Não nos fechemos em nosso egoísmo e, muito menos, não nos
esquivemos de sermos também nós, oferendas vivas para que o amor de Deus se
plenifique em cada coração humano.
Servir
e amar. Amar e servir, sempre e em qualquer lugar. A vida toda de Jesus foi
amor e serviço, o seu manto real foi o avental, e a sua maior prova de amor foi
ter dado a sua própria vida para ‘pagar a conta’ que, por nós mesmos não
conseguiríamos ‘pagá-la’ com o Pai. Assim, a imolação de Jesus foi “como um ato
de ‘imersão plena’ na História e nas vicissitudes da humanidade, assumidas e
vividas até o fundo, redimidas pela lógica do despojamento e do dom total de si”[3].
Como
Jesus, despojemo-nos, despojemo-nos, despojemo-nos. Eis o segredo para a
felicidade em Deus. Parece-nos contraditório, mas não o é. Despojar-se e
entregar-se, por amor, em favor dos irmãos são as atitudes próprias de
conformação a Cristo, Servo de Deus.
Ó
Bendita cruz, ó adorável cruz, te adoramos Santa Cruz!
André Vinícius Mendes de Sá
Noviço dos Religiosos da S. Face
quinta-feira, 17 de abril de 2014
ESPIRITUALIDADE DO AVENTAL (Meditação para a Quinta-feira Santa)
A
Espiritualidade do Avental, inicialmente é uma espiritualidade da prática, da
ação em favor do outro independentemente de sua posição social, racial,
econômica etc. Para nós hoje, soa-nos como um convite ao serviço alegre, comprometido
e incondicional aos irmãos e irmãs que encontrarmos em nosso caminho. Particularmente,
acreditamos que seja uma necessidade de investirmos em tal espiritualidade, já
que esta dispensa muito falatório e exige mais ação. É indispensável, porém, dizer que para
assumir esta espiritualidade faz-se necessário que sejam quebrados alguns dos
paradigmas vigentes de nossa sociedade civil e religiosa.
Vivemos em uma sociedade profundamente
marcada pela hierarquia, pelo preconceito, pelos títulos, pelas posições, pela
lei do mais forte, pelas funções e outras coisas mais que se colocam acima do
homem. Estas nos impedem de Servir evangélica e qualitativamente aos irmãos. Ou, por vezes, o nosso serviço é como uma
espécie de fachada, até servimos àqueles que são donos de nossas preferências e
àqueles com os quais queremos manter as posições.
A espiritualidade do avental em
Jesus é completamente diferente daquela que dizemos também assumir; Jesus para
assumi-la teve de despojar-se de tudo aquilo que poderia lhe atrapalhar: as
preferências humanas, a hierarquia de sua época, a posição que ocupava e a
função que exercia entre os discípulos. O despojamento de Jesus Cristo foi tão
forte que sendo ele o “Mestre”, e sua função seria ensinar, ordenar, talvez até
lutar para manter sua posição, mas não fez, invés se colocou como servidor em
primeiro lugar.
Essa espiritualidade, fundamentada na
atitude “heroica” de Jesus, nos aparece de forma gritante pedindo-nos de
sairmos de nosso comodismo para lavar os pés daqueles que precisam recuperar
sua dignidade e valor de pessoa humana. A mesma precisa se encarnar no hoje da
história para revelar ao mundo o amor misericordioso de Deus, que ama a
humanidade com um amor não movido por preferências, mas pela gratuidade. Esse
também deve ser o nosso amor para com aqueles que lavamos os pés.
O convite hoje é para nós
continuarmos pondo em prática a espiritualidade do avental. Para isso, tomemos como
ponto de partida e exemplo, o próprio Cristo que invertendo os valores da época,
como Mestre, põe-se a serviço de “todos”. Lavar os pés de nossos irmãos e irmãs
é também revelar-lhes todo o nosso amor gratuito, solidário, eficaz e livre dos
impedimentos humanos. É com esta atitude que Jesus quer ensinar aos seus a
manterem uma postura constante de serviço, de doação e acima de tudo, de
humildade, pois o reino dos Céus é daqueles que são pequenos.
Esse gesto “simples”, porém
carregado de muitos significados serve para confirmar aquilo que o mestre havia
ensinado aos discípulos durante toda a vida em que esteve com eles. Era como
que uma recordação de todo o ensinamento e ao mesmo tempo um reforço para dizer
que no final, o que conta é o serviço. Entre os tantos significados desse
gesto, podemos destacar alguns:
- Não
podemos viver como uma fachada a nossa adesão por Cristo e pelo reino, esta
precisa ser empenhativa;
- O
serviço é que vai medir a qualidade e a concretude de nossa adesão;
- Sem
serviço não há seguimento verdadeiro do Mestre;
- As
palavras precisam está intimamente ligadas aos atos, estes devem ser uma
confirmação daquilo que é dito;
- Todos
precisam exercer a sua responsabilidade pela construção do reino e pelo bem
comum;
- O serviço é característico de quem
ama, logo, amor revela-se também nas atitudes concretas...
Poderíamos ainda extrair outros
significados deste magnífico exemplo que nos foi dado por Jesus Cristo, mas
para não nos determos em tantos detalhes que podem ser desnecessários, optamos
por escolher aqueles que consideramos mais significativos.
Ressaltemos
ainda que a espiritualidade do avental tem uma profunda ligação com o nosso
carisma “masteniano” que visa restituir na pessoa do outro, a imagem da Sagrada
Face de Jesus Cristo. Para atingir esse fim, faz-se também necessário muitas
vezes lavar os pés daqueles que são destinatários de nossa missão, (sobretudo a
comunidade que fazemos parte), seja por meio de uma formação humano-religiosa,
de nossa presença entre os excluídos da sociedade, do anúncio da Boa Nova
àqueles que não têm mais esperança, de uma assimilação concreta do serviço
evangélico (a exemplo de Jesus). Em outras palavras, pode-se dizer que viver o
carisma da Sagrada Face na radicalidade é também viver a espiritualidade do
avental, pois a vivência do nosso carisma convida-nos a servirmos a Jesus na pessoa
do irmão.
Francisco Josimar Chaves
Noviço dos Religiosos da S. Face
sábado, 12 de abril de 2014
HOSANA, HOSANA E VIVA! (Meditação para o Domingo de Ramos)
De Betânia a Jerusalém... O rei se aproxima:
Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor!
Comtemplemos o nosso Rei que entra em
Jerusalém, mas para a nossa surpresa vem desprovido de toda humana realeza.
Onde estão as pompas? E o carro real? E os seu guardas?
Ele vem montado num jumento e não traz
consigo coroa alguma, mas é rei. Ele mesmo atestou isso, quando interrogado por
Pilatos: “Tu és o rei dos Judeus?” (Jo 18, 35). Jesus o respondeu: “Tu o dizes,
eu sou rei.” (Jo 18, 37a). Mas antes deixou claro: “O meu reino não é deste
mundo.” (Jo 18, 36). Aqui entendemos o verdadeiro sentido da realeza de Jesus.
Ela é diferente daquela dos homens, e não está fundamentada numa exagerada
busca de poder e riquezas, mas sim no testemunho da verdade: “Para isso nasci,
para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade.” (Jo 18, 37b). E nós,
temos jesus como rei e pertencemos ao seu reinado? Saberemos na medida em que o
escutamos: “Quem é da verdade escuta a minha voz.” (Jo 18, 37c). Acolher Jesus
como rei é permitir que Ele entre na nossa “Jerusalém interior”, que Ele ande
entre as casas e nas estradas de nossa cidade, àquela mesma que está situada em
nosso coração. É nesta “Jerusalém” que a Verdade quer reinar! Permitamo-la!
Que não venha a acontecer conosco o que
outrora aconteceu com aqueles que acolheram Jesus com festa e, depois, o
desprezaram levando-o para ser condenado.
Acolhamos Jesus! Que Ele venha a nós e nos
revele o seu reino de verdade e amor. Acorramos ao seu encontro! Para isto, “em vez de mantos ou ramos sem
vida, em vez de folhagens que alegram o olhar por pouco tempo, mas depressa
perdem o seu valor, prostremo-nos aos pés de Cristo. Revestidos de sua graça,
ou melhor, revestidos dele próprio [...], prostremo-nos a seus pés com mantos
estendidos. [...] Agitando nossos ramos espirituais, o aclamemos todos os
dias...” (Santo André de Creta, Séc. VIII).
É este o convite para cada um de nós
cristãos, que tendo percorrido o caminho do deserto, chegamos a este tempo de
graça, que tão sabiamente chamamos de Semana Santa e que nos faz mergulhar no
mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Façamos com Cristo o mesmo
percurso, para que também com Ele ressuscitemos de tudo aquilo que ainda em nós
não é sinal da vida que Ele nos concedeu.
Dannilo
Luiz Rocha Lira
Noviço
dos Religiosos da S. Face
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